APLB Juazeiro - DESIGUALDADE RACIAL:Datas para relembrar e comemorar a luta dos afrodescendentes.

DESIGUALDADE RACIAL:Datas para relembrar e comemorar a luta dos afrodescendentes.

publicado em 08/11/2011

lização: Frisson Comunicação & Marketing Data: 28/10/2011

NOVEMBRO • 2011

 

 

M esmo com os esforços e as conhecidas vitórias conquistadas pelos afrodescendentes brasileiros, as diferenças são evidentes.

O Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil 2009-2010, elaborado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) mostra que essas disparidades

são visíveis e têm se agravado. Além disso, a diferença racial atinge diferentes áreas e entre elas, a educação.

 

 

O estudo aponta que no ano de 2008, quase metade das crianças afrodescendentes com idade entre 6 e 10 anos estava fora da série adequada.

Na faixa entre 11 e 14 anos a desigualdade aumenta: 62,3% de pretos e pardos estavam atrasados na escola. Outros dados que chamam atenção no estudo estão relacionados à alfabetização.

Em 2008, 6,4% das crianças afrodescendentes entre 10 e 11 anos não sabiam ler e 4,1%, escrever. Entre as crianças brancas esses números estavam entre 2,4% e 1,6% respectivamente.

 

 

A equipe da UFRJ mostrou também que o analfabetismo ainda é um problema entre a população negra no Brasil. Dos 6,8 milhões de analfabetos existentes no

Brasil entre 2009 e 2010, 71,6% são pretos e pardos.

 

 

Uma outra pesquisa realizada pelo IBGE, com base em dados entre 1999 e 2009 traz mais informações. Apesar da melhora no nível de escolaridade e da queda na desigualdade racial na educação, negros e pardos ainda estão em patamares desiguais. Segundo o estudo, um em cada dez filhos negros entrevistados pelo IBGE (9,2%) completou o ensino médio. Entre os brancos, quase um em cada quatro (23%) tinha pelo menos 12 anos de estudos.

 

 

Avanços

A pesquisa da UFRJ revela que houve avanços com relação à escolaridade (veja os gráficos abaixo). Dados do IBGE mostram ainda que, diferente dos pais, filhos

de negros estão estudando mais, embora apresentem uma diferença maior em relação aos brancos. Uma consequência dessa mudança foi a ampliação do acesso

à escola a partir da década de 1990. Hoje, 97,7% das crianças afrodescendentes estão na escola.

 

 

R ecente pesquisa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), aponta que 14 milhões de pessoas se consideram negras no Brasil.

Na América Latina e no Caribe, este número chega a 150 milhões de pessoas. Reconhecendo a importância dessa população, a sua representação na sociedade

e a necessidade de promover o respeito aos seus direitos, em dezembro de 2009 a Assembleia Geral das Nações Unidas estabeleceu 2011 como o Ano Internacional dos Afrodescendentes. A ideia era fortalecer ações nacionais e internacionais para debater questões ligadas aos direitos e à participação social dos descendentes de negros.

 

 

No Brasil, agências da ONU lançaram publicações, realizaram diversos encontros, mesas redondas e promoveram diferentes ações culturais.

A luta pela conscientização dos direitos da população afrodescendente e o combate à discriminação racial é antiga. O país soma datas significativas que lembram a

luta dos negros para vencer as desigualdades que persistem em diversos setores da sociedade como a educação, saúde e emprego. Em 2003, a lei 10.639, que torna obrigatório o ensino de História e Cultura Afro-Brasileira na rede de ensino, incluiu o dia 20 de novembro no calendário escolar. Na data, o país comemora o Dia Nacional da Consciência Negra e relembra o dia da morte de Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares.

 

 

Outra data importante incluída nesta luta foi criada também pela ONU em 1976. No dia 21 de março, a Organização instituiu o Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial. A escolha desta data relembra o Massacre de Sharpeville, em Joanesburgo, na África do Sul, em 1960 quando a população manifestava, de forma pacífica, contra a chamada Lei do Passe que obrigava os negros do país a portarem uma caderneta com suas informações. Mais de 60 pessoas morreram e mais de 180 ficaram feridas.

nstitutociais e as políticas públicas de combate à desigualdad IPEA.

ANTIRRACISMO: POLÍTICA PÚBLICA NECESSÁRIA

Apesar dos avanços econômicos e sociais dos últimos anos, a herança escravocrata brasileira continua a ferir a esperança de vida de milhões de frodescendentes no Brasil, principalmente das mulheres negras. A realidade mostra que os porões dos navios negreiros foram substituídos por outros cenários de exploração e scriminação como as favelas, cortiços e escolas.

 

 

Um significativo passo de enfrentamento a esse quadro de injustiça social foi dado com a aprovação do Estatuto da Igualdade Racial que, juntamente com outros instrumentos de políticas públicas, formam um considerável conjunto de mecanismos de apoio, proteção e direcionamento ao combate ao preconceito racial no

País. Mas, muito ainda precisa ser feito.

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